HISTORIA, ETERNA HISTÓRIA...
Dizia um antigo reclame comercial, tão velho quanto o uso desta palavra antes que o marketing e o merchandising a houvessem soterrado : “O mundo gira e a Luzitana roda!”. Esta, era uma empresa de
transportes terrestres; o mundo, claro, o nosso velho e redondo planeta... Ele gira, gira, gira... e acaba devorando o tempo com suas dores e humores variáveis. Mas no meio tempo, as coisas mudam, as pessoas amam e se multiplicam, a sociedade se transforma e nessas mudanças emergem perplexidades, resistências e ímpetos
revolucionários. Estes, aliás, são os fndamentos das ideologias,sempre antagonizadas, na extremidade deste eterno movimento histórico,entre “direita” e “esquerda”. Como nas estações e no clima, há
sempre conflitos e há fases de grandes tensões, outras de acomodação interna e global, que se denominam Eras de Pax. Tivemos a Pax Romana,de mil anos.
Depois a Pax Eclesia, que lhe seguiu. Depois a Pax
Inglesa, em períodos, aliás, cada vez menores. E, depois da II Guerra,tivemos uma curta Pax Americana, dos grandes filmes de Holywood, dos carros rabos de peixe e eletro-domésticos que mudaram a vida
doméstica, do pontificado de New York com seus arranha-céus e vitrines fantásticas, tudo isto eternizado nas vozes de Frank Sinatra e Liza Minelli...Foi no auge desta fase que um autor proclamou o Fim da
História...
E com isso, nossa velha esfera começou a rodar enfurecidamente:Primavera Árabe; troca de vários Governos na estável Europa,direita e esquerda aí se substituindo , erraticamente, dependendo do
caso; o Mercosul, aqui entre nós, entrando em parafuso...
Tensão e perplexidade põem a nu a sociedade e a economia contemporâneas. Todos criticam tudo. Nem se consegue mais distinguir as ideologias. Só os
governos se defendem. Dilma grita e o povo berra : VETA DILMA! As Igrejas pentecostais se enchem de novos fiéis . O consumo de anti-depressivos alcance níveis estratosféricos -
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Em 1848 um filósofo radical , Karl Marx , num clima parecido, lançou o “Manifesto Comunista”, num libelo contra as injustiças da Nova Ordem, na esteira do iluminismo crítico. Moldou o Século XX. Mas hoje
um novo fantasma ronda o mundo: O mal- estar da civilização, advertido , por outro grande pensador, S. Freud, criador da Psicanálise, outro maldito do iluminismo. E aí estamos: Sentindo-nos mal, sem saber o porquê, nem para onde ir. À espera de um novo “Manifesto”: o da Esperança...
Talvez por isto, o Ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso, Príncipe dos Sociólogos latinoamericanos, já de volta `a cátedra, tenha advertido (Globo/Estado de SP, 06 maio 2012) que os “valores morais”devem prevalecer sobre os “valores materiais”:
“É preciso contrapor os temas morais ao predomínio do econômico.
Há uma demanda crescente de respeito por parte dos cidadãos. Estes aderem a valores não como decorrência automática de serem patrões,empregados,ricos, pobres, pertencerem a esta ou àquelaorganização, mas por motivos morais e culturais. Com essa perspectiva, Touraine ( Alain Touraine, sociólogo francês) responde categoricamente que não é com os partidos que a política ganhará outra vez legitimidade.
As instituições estão petrificadas. Só os movimentos sociais e de opinião, movidos por um novo humanismo expresso por lideranças respeitadas, pode despertar aconfiança perdida. Só assim haverá força capaz de se opor aos interesses institucionais do capitalismo
financeiro-especulador, que transformou o lucro em motor do cotidiano.Daí a importância de novos atores, de novos "sujeitossociais", portadores de uma visão de futuro que rejeite o status quo.
Como lembrei no começo desta crônica: O mundo está dando voltas.Estamos num carrossel aparentemente descontrolado no qual as referências tradicionais desmoronam com grande rapidez. Os mais
cautelosos priorizam, nesta hora, o primado da consciência de cada um sob o império do livro-arbítrio.
Outros, contudo, negam tanto a possibilidade da consciência como do exercício da liberdade, seja pelo
determinismo genético, seja pela imersão involuntária na cultura, à la Marx ou Antropologia, seja, enfim, pelas fantasmagorias da neurose. O sujeito iluminista, senhor da capacidade de legislar sobre seu destino, capitulou. Não seria mais, rigorosamente, nem sujeito, nem
“capaz”.
Diante disso, eu, retórico e despido, tento manter a serenidade, e me vou, tragicamente, a caminho de mim, presa da dúvida. E você...