
O presidente Lula, à luz da Constituição, em vigor,não poderá resolver junto apenas ao ministro da Defesa,Nélson Jobim.O artigo discrimina o funcionamento do Conselho de Defesa Nacional, com o qual Lula deverá se aconselhar para tomar a decisão final.Integrado pelo presidente e vice-presidente da República, sentam-se também os presidentes da Câmara dos Deputados e Senado Federal,os ministros da Justiça,Defesa,Planejamento e Relações Exteriores, e os comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica.
Nesse governo,Lula não convocou o Conselho, o que vai de encontro ao estilo monocrático com que decide as coisas à sua frente.E quanto mais “estratégica”é a operação - como a do acordo militar com a França – mais fechada é a tomada de decisão. Mas,nesse caso, se arrisca a ter sua decisão questionada nos tribunais por ter ferido o rito,ante o questionamento jurídico-administrativo dos perdedores. O ministro Jobim (foto Google com Lula), desmentiu ontem que a negociação já esteja rematada.Mas a divulgadora da informação, a jornalista Eliane Cantanhêde,da Folha de São Paulo, deixou claro em seu artigo que seriam feitos desmentidos cabais.
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Dalcio, Correio Popular, Campinas.
Dilma,erros e videotapes.
A ministra Dilma Rousseff cometeu ontem uma sofrível apresentação do balanço d PAC, pela mutiplicidade de erros e falhas da parte técnica – dos vídeos e imagens - sem concatenação com o roteiro que ela seguiu. Outros ministros a socorreram várias vezes para retificar informações.
Dilma não logrou justificar porque o PAC até aqui – em três anos – limitou –se a 63,3% de execução financeira, que representa o total já gasto, mas apenas 40,3% de finalização das ações.É um tempo suficiente longo para que pelo menos o dobro disso tivesse sido executado.
Não disse uma palavra sobre a quantidade de demandas judiciais envolvendo problemas com obras do PAC. Até janeiro de 2009 já havia sido registradas 931 ações entradas na Justiça.
Uma nota positiva da ministra na sua apresentação de ontem foi uma visível melhora da qualidade de seu diálogo com imprensa.
Quando os tucanos vão aprender a se comunicar?
Mais uma vez, notas oficiais do presidente do PSDB, duras e em tom reativo, caracterizam a única forma do principal partido de oposição a Lula manifestar-se à opinião pública. Mas sempre como reação a alguma fala de Lula,nunca como iniciativa de proposição.
Enquanto Lula faz sua catilinárias nas tuas, em manifestações públicas, sob o sol e perante gente sofrida, as oposições pronunciam suas verdades no Congresso Nacional, no interior de seus gabinetes, protegido por ar condicionado e garçons servindo cafezinho e água a todo instante.
Essa é a diferença.Entre o planalto e a planície, sob o sol e sob a sombra.
Ciro faz o que Serra deveria fazer.
O deputado Ciro Gomes está procedendo exatamente como o governador José Serra deveria fazer:ocupando espaços na mídia e escolhendo espaços para alianças políticas e para satisfazer o ego do eleitor. Ciro atua entre as carências de afirmação de Dilma e das omissões de Serra, oferecendo um discurso de via alternativa interessante ao indeciso ou ao decepcionado.
Ciro está tendo êxito nessa empreitada, pois carreia uma qualidade que é incomum a um político de gabinete de hoje: sua afirmatividade na verbalização.Assume posições claras,o que é inusua naqueles que ele mais criticam.
Vai ser um páreo duro para Lula, não para Dilma ou Serra.
Frase do dia:
“Eu estou sem óculos de longe”
(Da ministra Dilma Rousseff, ontem,durante a apresentação do balanço do PAC, queixando-se de que não enxergava os gráficos).