Serra entre Maquiavel e Hamlet.
2010-02-08

Muitos analistas acreditam que o governador José Serra (foto Goovgle) está certo  quanto ao seu calendário de silêncio. Sairá da toca em março ou abril, aguardando que sua adversária Dilma Rousseff escolha antes seu candidato a vice no PMDB.

Com a sinalização da chapa completa a ser enfrentada, Serra poderá ter então uma clareza as contradições inimigas para explorar poder explorar as fragilidades da aliança contrária.
 
Poderia, assim, escolher o seu vice, ou o seu vice como uma engenharia de resultados,sob uma visão compensatória explorando as magoas geradas pela escolha de Dilma.
 
Quanto a correr com o andor para dar uma resposta à movimentação de Dilma, ajudada por Lula, Serra considera que nada disso fixa por enquanto um padrão definitivo de conhecimento das candidaturas,e,através  dele,de intenção de voto.A verdadeira campanha só começará em 1 de agosto,com a propaganda eleitoral na TV e rádio.

Ate lá, haverá etapas como a definição do cenário da disputa para governadores e senadores em colégios eleitorais importantes –como Minas – em que o PT está jogando até a alma para disputar na cabeça da aliança.

Haverá depois a montagem dos  palanques de lado alado.Haverá convenções presidenciais e regionais para consagrar os candidatos.Só então começará de fato a campanha, que será curta por causa da Copa do Mundo, e o brasileiro  pensará unicamente nisso por todo o mês de julho.

Até que Serra tem razão em seu silêncio. Desde que seu silêncio seja estratégico e não dúvida hamletiana, a de ser ou não ser.

Sem projeto estratégico para legar.

A caudalosa cobertura das enchentes de São Paulo no restante do Pais pela mídia - assustada com as proporções do desastre natural - tremete a um erro fundamental do Estado:a ausência de planejamento. A mentalidade do atual governo é socorrista, atuando nos eventos só depois que ocorrem. A culpa dos governos – todos os governos a partir de Collor e Sarney à exceção do curto de Itamar que eliminaram o planejamento e cuidaram do desmonte do Estado – e passaram a se debater no falso dilema entre estatismo e privatismo. Deixaram simplesmente de bem gerir os serviços públicos.

Quando o governo Lula acabar dentro de mais 1O meses e 20 dias, e elaborar o relatório final para deixar ao sucessor,ver-se-á que não legará nenhum projeto estratégico. PAC não é projeto estratégico.

É um amontoado de obras de finalidades dispersas, financiamento insondável e execução duvidável.  

Temer se ungiu candidato a vice.

Da mesma forma com que Napoleão Bonaparte se coroou como imperador da França,o deputado Michel Temer se ungiu com a coroa de candidato do PMDB a vice-presidente na chapa de Dilma Rousseff.Agora, nada e ninguém o retirará da disputa,uma vez que foi  proclamado presidente nacional com 93% de unidade declarada.

Votaram em Temer todos os demais candidatos opcionais,Gedel,Helio, Cabral e Lobão.

Nem Lula será homenageado com a sabujíssima atitude da entrega de uma lista tríplice de candidatos para a escolha de Dilma.

É Temer ou nada.

O fator Alencar.

Por pouco, muito pouco, o vice-presidente José Alencar não foi considerado solução natural como candidato de Lula à sua sucessão. Seria uma vitória aclamada.

Alencar não entrou no páreo porque e início, logo que se manifestou, a doença de que sofre lhe cobriu com o indisfarçável preconceito que discrimina os políticos portadores de enfermidades crônicas.O Brasil  jamais elegeria um Franklin Delano Roosevelt sem movimento nas pernas,numa cadeira  de rodas, portador de meningite.No entanto, FDR permaneceu 12 anos na Casa Branca.

Mas com a superação do câncer e popularidade crescente de Alencar, Lula sentiu que poderia ter apostado nele todas as suas fichas para sucessor. É tarde demais opara o Brasil.Minas poderá ter esse privilégio.

Frase  do dia

“Eleições não se ganham com o retrovisor. O eleitor vota em quem confia e lhe abre um horizonte de esperanças. Mas, se o lulismo quiser comparar, sem mentir e sem descontextualizar, a briga é boa. Nada a temer.”

(Do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em artigo publicado nos jornais,ontem).

ARTIGO: Leia na Coluna do Timm: CHORAR PELO HAITI,ORAR PELO HAITI!