Saída de ministros será em 31 de março
2010-03-10

O presidente Lula determinará a seus ministros com planos de deixar o governo para disputar cargos eletivos, que o façam não mais no dia 3 de abril - prazo limite –mas no dia 31 de março,uma quarta-feira,e que seus substitutos sejam empossados naquele  mesmo dia. Não haverá dificuldade, uma vez que serão os atuais secretários-executivos. 

Anuncia-se que Henrique Meirelles é o primeiro a confirmar quer sairá no dia 31 (foto Google).

A intenção de Lula é clara: não permitir que a transição administrativa avance sobre os primeiros dias de abril, o que, para ele, perturbaria a marcha dos projetos e obras. 

Com todos os ministros se desincompatibizando a 31 de março, e no mesmo dia havendo a transmissão do cargo, acredita Lula possa iniciar os últimos nove meses de seu governo com a máxima mobilização de energias, com equipe nova, e aproveitando todo o tempo disponível. 

Para materializar sua decisão,Lula cogita baixar um ato, que será também um recado para o público interno,de que a saída de ministros não importará no relaxamento  do ritmo do governo nem de programas como o PAC. 

Os últimos meses de um mandato presidencial são geralmente melancólicos, mas Lula quer quebrar esse paradigma,que foi uma constante nos governo FHC e Sarney. 

O esvaziamento é total. 

O atual contexto das relações entre o governo e a oposição é precário  mas o entendimento da precariedade decorre mais do estilo discursivo do bloco oposicionista,que pretende manter o aparato de guerrilha oratória e com ela ganhar suas demandas.  

O problema é que Lula instituiu um roteiro diverso de prática política e método do governo, e nos seus cálculos,sai-se bem.Vale-se da enorme apatia da população brasileira a tudo que signifique política,partidos e poder.

Pouco se lhe dá se existe corrupção ou não.Nessa matéria, desde Adhemar de Barros existe uma doutrina admitida consensualmente como tolerável.Paulo Maluf passa hoje pelas ruas de São Paulo,após algumas prisões,e é aplaudido. Esse é o povo. 

Lula não é sociólogo,antropólogo,ou cientista político,mas procede melhor que eles, na diagramação psicosocial..É um pragmático que sabe utilizar melhor do que eles as leituras da alma  do brasileiro.Adiantou-se a seus clamores e ofereceu uma distribuição de renda via orçamento público para que todos participassem da festa. E esquecessem o Congresso como mentor. 

Estabelecida a democracia direta – Lula e o povo, face a face - para que Congresso?

A intermediação parlamentar perdeu força. O esvaziamento é total. Os instrumentos da fiscalização e denúncia se estiolaram.Não há vontade política para se ir aquém do circulo traçado pela conveniência. As CPIs não mais existem como plataformas de ação.Tudo se confinou ao interesse pessoal do parlamentar. Só se move por interesse confirmado.