Swing Político (6)

ATÉ JK PECOU QUANDO CEDEU À BAIXA POLITICA, NÃO CONSTRUINDO METRÔ

O desastre na estrutura do Eixão em Brasilia faz recordar uma história digna do caráter político brasileiro: frascário e regido pelo medo da língua do povo.

Com JK, o fundador, mesmo sendo de estirpe pessoal rara, acima do vulgar dos projetos humanos, visionário e nefelibata, ocorreu um lance torpe de baixa política.

O jornalista Carlos Chagas, na sua fase da TV Manchete, certa vez entrevistou JK na sua fazenda nas cercanias de Brasilia.

Os temas políticos nacionais finalmente cederam espaço ao tema preferido de Juscelino - sua amada Brasilia.

Chagas, portador da capital, e como cidadão que se deslocava diariamente para o trabalho dirigindo seu carrinho esporte, sentia falta de um metrô moderno ligando todos os quadrantes da capital, e não esse que nós temos até hoje, simulacro de trem envergonhado, que falha e tarda
Então sacou em direção ao ex-presidente a pergunta:

-"Presidente, por que numa cidade construída em terreno plano, com plano urbanístico totalmente planejado, o Sr. não teve a lembrança de abrir um metrô que ligasse toda a cidade? Teria sido fácil e barato naquela época. Hoje, Brasilia não estaria padecendo do estreitamento das vias urbanas com a quantidade de carros nas ruas (inclusive o dele, um Karmann Ghia).

JK, sem pensar muito, respondeu pelo lado pequeno da política, o medo da vaia, da denúncia, da condenação.

- "Chagas, vou lhe dizer a razão. se e tivesse construído o metrô, a UDN, que acolhia meus adversários políticos na famosa Banda de Música, teria me acusado no primeiro buraco que abrisse: "Juscelino está enterrando o dinheiro do povo".

Leia mais ...

O MILAGRE DOS SACOS DE DINHEIRO QUE CHEGAVAM A BRASÍLIA E NÃO ERAM ROUBADOS

Na época em que está havendo uma relativização do conceito de interesse público, e total abastardamento do dinheiro público, mais vale relembrar o que se passou na época da construção de Brasilia.

A lenda edificou uma derrama de dinheiro vivo das empreiteiras (sim, naquela época já existiam) que recebiam da boca do caixa dos endinheirados institutos de aposentadoria no Rio (IAPETEC, IAPB e outros)  para pagar as loucuras de JK Tal era o folclore, tornado verdade por mil vezes reoetuda pela raivosa UDN de Carlos Lacerda.

Uma testemunha dos fatos, o coronel Affonso Heliodoro, que era um capitão da Força Pública de Minas e ajudante-de-ordens do presidente Juscelino Kubistchek, narra uma versão bem diversa da farra de malas chegando de avião do Rio, para custear a bandalha geral do planalto.

O mineiro Israel Pinheiro era o todo-poderoso das obras de construção. Nada se fazia sem o seu aval. Presidente da NOVACAP, com carta branca total dada pelo presidente Juscelino, exerceu seu mandato com mão de ferro. Mais parecia um contador que um politico do PSD mineiro. Heliodoro lembra que Israel era o terror dos empreiteiros e prestadores de serviços desde os mais simples, pela mania de tentar baixar o preço de tudo, paras começo de conversa. 

No dia do pagamento dos funcionários públicos, engenheiros  e operários, Dr, Israel - como era chamado - organizava um beija-mão, e ele próprio enregava a cada um os envelopes com os salários. O dinheiro chegava em sacos (não nas malas vulgares de hoje) do Rio, em aviões da FAB. A cada um, tratava pelo nome.

Um certo mês, O voo do avião da FAB para a ainda não inaugurada Brasilia apresentou problema técnico a bordo, e o piloto relatou a Israel uma , uma infiltração de água no porão de carga que molhou todos os sacos de dinheiro. Havia suspeita de que as cédulas havia colado uma nas outras, com perda total da remessa pelo matiz do papel, naquele tempo, bem vagabundo.  

Consternação geral na pequena pista de pouso perto do Catetinho. Era o mês de pagamentos que ameaçava para o ralo.

Israel não se deu por vencido. Ordenou enfileirar os sacos molhados à sua frente, sentou-se no chão, abriu um por um, conferiu cédula por cédula , horas a fio, separou as mais molhadas, secou-as e ao final verificou que nenhuma havia sido inutilizada.

Agindo como gerente de banco do interior, conferente e guarda-livros, o importante politico de Minas, número 2 da construção de Brasilia, que respondia somente a JK, passou a noite toda pagando à sua gente, chamando nome por nome, contente que só.

Leia mais ...

ÚNICO QUE ENGANOU ALUÍZIO ALVES FOI TANCREDO, AO LHE DAR PISTA FALSA

Aluízio Alves era um político de rara percepção de seus espaços. Matreiro, só ousava na certa. Escutava o chão. Costumava ousar sempre, como fez, no Rio Grande do Norte, mesmo com o Estado dividido após décadas de rivalidade com seu arqui-adversário Dinarte Mariz.

Um dia, ao chegar ao Ministério da Administração, de que foi titular no Governo Sarney, Aluízio ligou para um jornalista político de um jornal de Brasilia:

- "Já está na hora de fazer as pazes com o Dinarte.Peço-lhe escrever um artigo na linha "Apertando as Mãos", antecipando minha intenção.Depois disso vou a Natal apertar as mãos do velho Dinarte e selar a paz. "
Dito e feito.

Sabia escolher a hora para tudo.O único político, ao que se soube,que o enganou em alguma coisa, foi Tancredo Neves.
Na escolha de seu ministério, o presidente cogitava muitos nomes para cada uma das vagas. Lançava sinais a todos os grupos. Pegava quem melhor decifrava as intenções do astuto mineiro.

Tancredo chamou Aluízio a seu escritório na Fundação Getúlio Vargas,em Brasilia. Falou, disfarçou, fez longos silêncios, mas no final apanhou umas pastas que estavam na sua escrivaninha e deu a Aluízio. Eram estudos sobre a situação das estradas, portos e ferrovias,como sempre, péssima.

- "Vá estudando tudo sobre o setor de Transportes. O setor está desgovernado".

O ex-governador, ante os sinais de que seria o futuro ministro dos Transportes, recheado de verbas e poder políticos, nem estudou os conteúdos. Sabia fazer o dever de casa de cor e salteado, como ex-governador considerado no Rio Grande do Norte o melhor até hoje.Apenas comunicou a alguns amigos mais íntimos que uma grande missão o aguardava no governo da Nova República.

Ao final, na madrugada do anúncio do ministério em entrevista coletiva, Aluizio recebeu um telefonema de Tancredo:

- "Aluzio, tenho importantíssima missão para você. Ser o primeiro ministro do Ministério da Administração que acabei de criar."

Entre o sonho de ser o titular de uma mega-pasta e o desafio de resolver os problemas da burocracia do governo, Aluizio agradeceu, acatou, aceitou, inovou e foi excelente ministro.

Leia mais ...

NADA COMO TER POETA EM VIAGEM PRESIDENCIAL: TURIBA FEZ INVEJA A TANCREDO

A viagem do presidente eleito Tancredo Neves a sete países, antes de tomar a posse que não tomou, foi extremamente cansativa para os 4O jornalistas que o acompanharam.

Da neve de Washington às noches calientes da Cidade do México, a trupe de escribas nem notou que o ancião com disposição de menino já dava sinais de padecimento. Era um resfriado aqui, era uma tosse acolá, encobrindo a grande verdade do corpo.

Chegamos a Buenos Aires, última parada antes de voltar à terra. Os jornalistas organizaram uma homenagem ao velho estadista. Sabiam que dali para a frente o mineiro seria tragado pelo cordão de seguranças e por outro cordão bem mais cruel, o dos puxa-sacos. Ninguém mais privaria com o bom velhinho que nos sorria, apesar da dor que deveras sentia.

Fizemos a vaquinha para a champanha e o bolo com os míseros dólares que nos sobraram. Formou-se a roda para aguardar a descida do casal presidencial da suite do hotel, acompanhado do porta-voz Mauro Salles e do neto Aecinho (era assim mesmo que o champávamos, bem garoto quer era).

Escolhemos o orador para saudar o presidente: recaiu no jornalista Carlos Henrique de Almeida Santos (SBT), porque o pai dele, o falecido deputado Almeida Santos, havia sido deputado federal e contemporâneo de Tancredo no Congresso.

Tudo pronto para começar, quando alguém, fazendo a contagem da trupe, notou que faltava um. Era o misto de jornalista e poeta Luiz Turiba. Procuramos daqui, dali, e nada. Onde estava o Turina? Mistério total.

Começamos sem ele, porque o presidente eleito dava mostras de extremo cansaço. No meio da homenagem eis que Turiba adentra o salão de recepções, com um sorriso matreiro e feliz de quem esteve em algum paraíso portenho.

E tinha sido mesmo. Quebrou o mistério:

- "Vocês vão morrer de inveja. Passei o dia na casa do grande poeta Jorge Luis Borges, a convite dele de sua companheira Maria Kodama..."

Até o Dr. Tancredo ficou com inveja.

Leia mais ...

FIGUEIREDO SÓ NÃO DIZIA "NÓS VAI" POR CAUSA DE FARHAT

 

O jornalista e publicitário Said Farhat era um dínamo no trabalho, até bem idoso empenhava-se incansavelmente em seus projetos, e nisso tinha um quê de semelhança com Carlos Heitor Cony. Não se entregava nunca, nem quando ficou viúvo de Rai Farhat, seu talismã, arimo e companheira. Outro que morreu trabalhando.

Said tinha a mania do detalhe. Consumia suas energias para encontrar a pedra filosofal em tudo que fazia, organizava  escrevia e editava. Como ministro da Comunicação de João Batista Figueiredo chegou às rajas do perfeccionismo em cada discurso que elaborava para o presidente desde sua campanha ,Campanha, sim, porque teve que enfrentar o colégio eleitoral indireto contra Paulo Maluf, atualmente prisioneiro na Papuda.

Um outro dado sobre a tal campanha: embora fosse durante o regime militar, a sucessão de Geisel foi decidida em ambiente tipicamente de disputa aberta,  pois do outro lado da candidatura militar estava o malufismo movido a uma caixa fornida para seduzir membros do colégio eleitoral. Era orquestrada or Calim Eid, lugar-tenente financeiro de Maluf

O que teve Said a ver com isso? Teve muito. O então candidato Figueiredo, então ex-chefe do SNI, não era o preferido de Geisel para a sucessão. Geisel o achava um tanto "militar". Quera um perfil mais liberal ate mesmo civil  que simbolizasse o final do regime duro. Alguém tipo Petrônio Portela, senador pelo Piauí, presidente do Senado. Com a oficialização de Figueiredo como candidato, era preciso adocicar sua imagem para se tornar mais palatável para a sociedade. Carregava a imagem de turrão. 

Said Farhat entrou na campanha com a missão de mudar a imagem de Figueiredo. Em todos os discursos do candidato procurava introduzir uma linguagem mais popular, leve e até mesmo populista.

No final da campanha, exausto, os assessores do "bunker"  de campanha instalado no Hotel Aracoara mandavam para aprovação enxurradas de textos para escolha do que o general iria falar nos eventos. Esbaforido, com o jeitão de prima dona de redação em dia de fechamento de revista, bufava:

"Chega de mandar textos para corrigir! Desde que o presidente não fale "nós vai" tudo bem!"

 

 

Leia mais ...

ALUÍZIO TINHA HORROR À BUROCRACIA DOS NÚMEROS FRIOS DOS CÁLCULOS

A discussão em torno da idade mínima de 65 anos para a Reforma da Previdência lembra um número cabalístico destituído de base atuarial mas que se torna um verdadeiro tabu para o governo, que dele não arreda pé.

As variáveis são tantas, e infinitas,  que será impossível fixar precisamente quanto aos cofres da Previdência precisariam retornar para nos próximos 1O anos não chegar à insolvência, tomando como base de cálculo os 65 anos mínimo de contribuição.

Por que não 64 anos e meses? ? Ou 65 e tantos meses ? Para a burocracia técnica só vale a grandeza dos números exatos!

Uma paranoia construída por burocratas que lembra um desabafo do famoso político potiguar Aluízio Alves, no tempo em que era ministro da Administração do governo Sarney.

Ao se deparar com uma decisão da burocracia que na época fixava um teto para os salários do funcionalismo público, Aluízio, irritado,  sacou esta:

– “Esse pessoal vive de números cabalísticos. São sempre números cheios, 7OO, 8OO, 9OO. Adoram as grandezas, mas mas a verdade está nas frações…”

Sabia o que dizia.

Leia mais ...
Assinar este feed RSS

:: Vídeos