Swing Político (3)

NADA COMO TER POETA EM VIAGEM PRESIDENCIAL: TURIBA FEZ INVEJA A TANCREDO

A viagem do presidente eleito Tancredo Neves a sete países, antes de tomar a posse que não tomou, foi extremamente cansativa para os 4O jornalistas que o acompanharam.

Da neve de Washington às noches calientes da Cidade do México, a trupe de escribas nem notou que o ancião com disposição de menino já dava sinais de padecimento. Era um resfriado aqui, era uma tosse acolá, encobrindo a grande verdade do corpo.

Chegamos a Buenos Aires, última parada antes de voltar à terra. Os jornalistas organizaram uma homenagem ao velho estadista. Sabiam que dali para a frente o mineiro seria tragado pelo cordão de seguranças e por outro cordão bem mais cruel, o dos puxa-sacos. Ninguém mais privaria com o bom velhinho que nos sorria, apesar da dor que deveras sentia.

Fizemos a vaquinha para a champanha e o bolo com os míseros dólares que nos sobraram. Formou-se a roda para aguardar a descida do casal presidencial da suite do hotel, acompanhado do porta-voz Mauro Salles e do neto Aecinho (era assim mesmo que o champávamos, bem garoto quer era).

Escolhemos o orador para saudar o presidente: recaiu no jornalista Carlos Henrique de Almeida Santos (SBT), porque o pai dele, o falecido deputado Almeida Santos, havia sido deputado federal e contemporâneo de Tancredo no Congresso.

Tudo pronto para começar, quando alguém, fazendo a contagem da trupe, notou que faltava um. Era o misto de jornalista e poeta Luiz Turiba. Procuramos daqui, dali, e nada. Onde estava o Turina? Mistério total.

Começamos sem ele, porque o presidente eleito dava mostras de extremo cansaço. No meio da homenagem eis que Turiba adentra o salão de recepções, com um sorriso matreiro e feliz de quem esteve em algum paraíso portenho.

E tinha sido mesmo. Quebrou o mistério:

- "Vocês vão morrer de inveja. Passei o dia na casa do grande poeta Jorge Luis Borges, a convite dele de sua companheira Maria Kodama..."

Até o Dr. Tancredo ficou com inveja.

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FIGUEIREDO SÓ NÃO DIZIA "NÓS VAI" POR CAUSA DE FARHAT

 

O jornalista e publicitário Said Farhat era um dínamo no trabalho, até bem idoso empenhava-se incansavelmente em seus projetos, e nisso tinha um quê de semelhança com Carlos Heitor Cony. Não se entregava nunca, nem quando ficou viúvo de Rai Farhat, seu talismã, arimo e companheira. Outro que morreu trabalhando.

Said tinha a mania do detalhe. Consumia suas energias para encontrar a pedra filosofal em tudo que fazia, organizava  escrevia e editava. Como ministro da Comunicação de João Batista Figueiredo chegou às rajas do perfeccionismo em cada discurso que elaborava para o presidente desde sua campanha ,Campanha, sim, porque teve que enfrentar o colégio eleitoral indireto contra Paulo Maluf, atualmente prisioneiro na Papuda.

Um outro dado sobre a tal campanha: embora fosse durante o regime militar, a sucessão de Geisel foi decidida em ambiente tipicamente de disputa aberta,  pois do outro lado da candidatura militar estava o malufismo movido a uma caixa fornida para seduzir membros do colégio eleitoral. Era orquestrada or Calim Eid, lugar-tenente financeiro de Maluf

O que teve Said a ver com isso? Teve muito. O então candidato Figueiredo, então ex-chefe do SNI, não era o preferido de Geisel para a sucessão. Geisel o achava um tanto "militar". Quera um perfil mais liberal ate mesmo civil  que simbolizasse o final do regime duro. Alguém tipo Petrônio Portela, senador pelo Piauí, presidente do Senado. Com a oficialização de Figueiredo como candidato, era preciso adocicar sua imagem para se tornar mais palatável para a sociedade. Carregava a imagem de turrão. 

Said Farhat entrou na campanha com a missão de mudar a imagem de Figueiredo. Em todos os discursos do candidato procurava introduzir uma linguagem mais popular, leve e até mesmo populista.

No final da campanha, exausto, os assessores do "bunker"  de campanha instalado no Hotel Aracoara mandavam para aprovação enxurradas de textos para escolha do que o general iria falar nos eventos. Esbaforido, com o jeitão de prima dona de redação em dia de fechamento de revista, bufava:

"Chega de mandar textos para corrigir! Desde que o presidente não fale "nós vai" tudo bem!"

 

 

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ALUÍZIO TINHA HORROR À BUROCRACIA DOS NÚMEROS FRIOS DOS CÁLCULOS

A discussão em torno da idade mínima de 65 anos para a Reforma da Previdência lembra um número cabalístico destituído de base atuarial mas que se torna um verdadeiro tabu para o governo, que dele não arreda pé.

As variáveis são tantas, e infinitas,  que será impossível fixar precisamente quanto aos cofres da Previdência precisariam retornar para nos próximos 1O anos não chegar à insolvência, tomando como base de cálculo os 65 anos mínimo de contribuição.

Por que não 64 anos e meses? ? Ou 65 e tantos meses ? Para a burocracia técnica só vale a grandeza dos números exatos!

Uma paranoia construída por burocratas que lembra um desabafo do famoso político potiguar Aluízio Alves, no tempo em que era ministro da Administração do governo Sarney.

Ao se deparar com uma decisão da burocracia que na época fixava um teto para os salários do funcionalismo público, Aluízio, irritado,  sacou esta:

– “Esse pessoal vive de números cabalísticos. São sempre números cheios, 7OO, 8OO, 9OO. Adoram as grandezas, mas mas a verdade está nas frações…”

Sabia o que dizia.

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